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Mini-Glossário dos Métodos "Alternativos"

Stephen Barrett, M.D.

Cada uma das seguintes abordagens tem ao menos uma das seguintes características: (1) seu fundamento lógico ou teoria fundamental não tem nenhuma base científica, (2) não foi demonstrado ser seguro e/ou eficaz por estudos bem planejados, (3) é enganosamente promovido, ou (4) seus praticantes não são qualificados para fazer diagnósticos apropriados. Artigos completos sobre aromaterapia, terapia com quelantes, quiropraxia e homeopatia podem ser acessados retornando a página principal do Quackwatch. 

"Medicina chinesa," freqüentemente chamada "medicina oriental" ou "medicina tradicional chinesa (MTC)", engloba um grande grupo de práticas médicas populares baseadas no misticismo. Sustenta que a energia vital do corpo (chi ou qi) circula através de 14 hipotéticos canais, chamados meridianos, que tem ramos conectados aos órgãos e funções do corpo. As doenças são atribuídas ao desequilíbrio ou interrupção do chi. Alega-se que práticas antigas como a acupuntura e o Qigong restauram o equilíbrio por remover as interrupções. 

A acupuntura tradicional, como agora é praticada, envolve a inserção de agulhas de aço inoxidável em várias áreas do corpo. Uma corrente de baixa freqüência pode ser aplicada nas agulhas para produzir maior estimulação. Acupressão (shiatsu) é uma técnica que usa a pressão dos dedos ao invés de agulhas. Alguns estados americanos restringem o uso da acupuntura aos médicos ou pessoas operando sob a supervisão direta de médicos, enquanto outros permitem que leigos  pratiquem sem supervisão médica. [No Brasil, a acupuntura apenas pode ser exercida por médicos, conforme determinação do Conselho Federal de Medicina]

O tratamento é aplicado aos "pontos de acupuntura", os quais se diz estão localizados por todo o corpo. Originalmente havia 365 destes pontos, correspondendo ao dias do ano, mas o número identificado pelos proponentes durante os últimos 2.000 anos aumentou gradualmente para mais de 2.000 [1]. Alguns praticantes colocam agulhas no ou próximo ao local da doença, enquanto outros selecionam pontos na base dos sintomas. Na acupuntura tradicional uma combinação de pontos é usualmente utilizada. Entretanto, a existência dos "meridianos", "pontos de acupuntura", ou chi jamais foram validados cientificamente. 

Alguns acupunturistas rejeitam os adornos da medicina chinesa e postulam que o alívio da dor ocorre através de mecanismos como a produção de endorfinas (substâncias químicas similares aos narcóticos). Ainda que a acupuntura possa aliviar a dor, tal alívio tende a durar pouco. A evidência sustentando as alegações de que a acupuntura é eficaz consistem principalmente de observações dos praticantes e estudos precariamente planejados. A acupuntura não provou influenciar o curso de qualquer doença orgânica.

Os efeitos adversos da acupuntura estão provavelmente relacionados com a natureza do treinamento do praticante. Uma pesquisa com 1.135 médicos noruegueses revelou 66 casos de infecção, 25 casos de pulmão perfurado, 31 casos de aumento da dor e outros 80 casos com complicações. Uma pesquisa paralela com 197 acupunturistas, que estão mais aptos para ver complicações imediatas, rendeu 132 casos de vertigens, 26 casos de aumento da dor, 8 casos de pneumotórax e outros 45 resultados adversos [2]. Entretanto, um estudo de cinco anos envolvendo 76 acupunturistas em uma clínica médica japonesa listou somente 64 relatos de eventos adversos (incluindo 16 agulhas esquecidas e 13 casos de queda transitória da pressão sangüínea) associados com 55.591 tratamentos de acupuntura. Nenhuma complicação grave foi relatada. Os pesquisadores concluíram que reações adversas graves são incomuns entre os acupunturistas que receberam treinamento médico [3].

Alega-se que o Qigong também influencia o fluxo da energia vital. Qigong interno envolve respiração profunda, concentração e técnicas de relaxamento usadas pelo próprios indivíduos. Qigong externo é realizado pelos "mestres Qigong" que alegam curar uma grande variedade de doenças com a energia liberada da ponta de seus dedos. Entretanto, investigadores científicos dos mestres Qigong na China não encontraram nenhuma evidência de poderes paranormais e alguma evidência de fraude. Os investigadores observaram, por exemplo, que uma paciente deitada sobre uma mesa a cerca de 3,5 m de um mestre Qigong movia-se ritmicamente ou sacudia-se de acordo com o movimento que o mestre fazia com suas mãos. Mas quando ela foi colocada onde não pudesse mais ver o mestre, seus movimentos foram desconexos com os dele. 

Os processos diagnósticos usados pelos praticantes da MTC podem incluir questionários (história médica, estilo de vida), observações (pele, língua, cor), escutas (sons respiratórios) e tomada de pulso. A ciência médica reconhece somente um pulso, correspondente aos batimentos do coração, os quais podem ser sentidos no punho, pescoço, pés e vários outros lugares por todo o corpo. Os praticantes da MTC checam seis alegados pulsos em cada punho e identificam mais de vinte e cinco alegadas qualidades dos pulsos como "rebaixado", "vacilante", "abafado", "tenso" e "vigoroso". Os "pulsos" da MTC supostamente refletem o tipo de desequilíbrio, a condição de cada sistema de órgãos e o status do chi do paciente. 

As ervas prescritas pelos praticantes da medicina chinesa nos Estados Unidos não são reguladas para avaliar segurança, potência ou eficácia. Também existe o risco que um acupunturista cuja abordagem diagnóstica não seja baseada em conceitos científicos deixe de diagnosticar um problema perigoso. 

O National Council Against Health Fraud concluiu: (1) a acupuntura é uma modalidade não comprovada de tratamento, (2) suas teorias e práticas são baseadas em conceitos primitivos e fantasiosos de saúde e doença que não comportam nenhuma relação com o conhecimento científico atual, (3) pesquisas durante os últimos 20 anos não demonstraram que a acupuntura seja eficaz contra qualquer doença, (4) efeitos percebidos da acupuntura são provavelmente devido a uma combinação de expectativa, sugestão, contra-irritação, condicionamento e outros mecanismos psicológicos, (6) companhias de seguro não deveriam ser obrigadas pela lei a cobrirem o tratamento de acupuntura, (7) o licenciamento de acupunturistas leigos deveria ser deixado de lado, e (8) os consumidores que desejam experimentar a acupuntura deveriam discutir sua situação com um médico conhecedor do assunto que não tenha nenhum interesse comercial [4].

Medicina Ayurvedica é um conjunto de práticas promovidas pelos proponentes da meditação transcendental (MT). Ayurveda (que significa "conhecimento da vida") é uma abordagem tradicional indiana que inclui meditação, processos de "purificação", terapias de rejuvenescimento, preparações com ervas e minerais, exercícios e aconselhamentos dietéticos baseados no "tipo corporal". Sua origem é atribuída ao quatro livros do Sânscrito chamados Vedas -- as mais antigas e mais importantes escrituras da Índia, concebidas em alguma época anterior a 200 AEC (Anterior a Era Comum). Estes livros atribuíam a maioria das doenças e a má sorte aos demônios, espíritos malignos e a influência das estrelas e planetas. A teoria básica da Ayurveda declara que as funções do corpo são reguladas por três "princípios fisiológicos irredutíveis" chamados doshas, cujos nomes em sânscrito são vata, pitta e kapha. Como os "signos solares" da astrologia, estes termos são usados para designar tipos corporais bem como os traços que os caracterizam. Como os escritos astrológicos, os escritos ayurvedicos contêm longas listas de supostas características físicas e mentais de cada tipo constitucional. Através de várias combinações de vata, pitta e kapha, dez tipos de corpo são possíveis. Entretanto, o doshas de alguém (e deste modo seu tipo de corpo) pode variar de hora a hora e de estação para estação. 

Os proponentes da Ayurvedica  alegam que os sintomas das doenças estão sempre relacionadas com o "desequilíbrio" dos doshas, que pode ser determinado sentindo o pulso no punho do paciente ou completando um questionário. Alguns proponentes alegam que o pulso pode ser usado para detectar diabetes, câncer, doenças musculo-esqueléticas, asma e "desequilíbrios nos estágios iniciais quando pode não haver nenhum outro sinal clínico e quando formas leves de intervenção pode ser suficientes." O "equilíbrio" é supostamente conseguido através de uma grande quantidade de procedimentos e produtos, muitos dos quais são ditos específicos para tipos corporais específicos. O programa Maharishi Ayur-Ved completo para "criar indivíduos saudáveis e uma sociedade livre de doenças" tem 20 componentes: desenvolvimento de estados superiores de consciência através de técnicas de meditação avançada, uso de sons primordiais, correção do "engano do intelecto", fortalecimento das emoções, estruturação Vedica da linguagem, musicoterapia, estimulação dos sentidos, diagnóstico pelo pulso, integração psicofisiológica, integração neuromuscular, integração neuro-respiratória, purificação (para remover "impurezas devido a deficiências dietéticas e padrões comportamentais"), medidas dietéticas, suplementos alimentares a base de ervas, outras preparações com ervas, rotinas comportamentais diárias, previsão de futuros desequilíbrios, cerimônias religiosas, nutrir o meio ambiente e promover a saúde mundial e a paz mundial. A maioria destes procedimentos custam várias centenas de dólares, mas alguns custam milhares e exigem os serviços de um praticante ayurvedico.

A MT é uma técnica na qual o meditador senta-se confortavelmente com olhos fechados e mentalmente repete uma palavra em sânscrito ou um som (mantra) por 15 a 20 minutos,  duas vezes por dia. Alega-se que ajuda as pessoas a pensar mais claramente, melhorar sua memória, recuperar-se imediatamente de situações estressantes, reverter seus processos de envelhecimento e gosar a vida mais plenamente. Os proponentes também alegam que "o estresse é a base de todas as doenças" e que a MT é "a coisa mais eficaz que você pode fazer para melhorar todos os aspectos da saúde e para aumentar a felicidade interior e habilidade de aprendizagem."

Deepak Chopra, M.D., um dos principais proponentes do ayurveda, alega que "Se você tem pensamentos felizes, então você fabrica moléculas felizes. Por outro lado, se você tem pensamentos tristes, e pensamentos raivosos, e pensamentos hostis, então você produz moléculas que podem deprimir o sistema imune e deixá-lo mais suscetível às doenças". Chopra promete "saúde perfeita" para aqueles que conseguem controlar suas consciências como uma força de cura. A meditação pode temporariamente aliviar o estresse -- como poderiam muitos tipos de técnicas de relaxamento -- mas o restante de suas alegações não tem nenhuma base científica.

Ecologia clínica, a qual os proponentes também representam erroneamente como "medicina ambiental", não é uma especialidade médica reconhecida. Está baseada na noção de que sintomas múltiplos comuns são disparados por hipersensibilidade a alimentos e substâncias químicas comuns. Os proponentes tipicamente sugerem que o sistema imune é como um barril que continuamente se enche com substâncias químicas até extravasar, assinalando a presença de doenças. Entretanto, alguns também dizem que "a desregulação do sistema imune" pode ser disparada por um único episódio grave de infecção, estresse ou exposição química. Estressores potenciais incluem praticamente tudo que os modernos humanos encontram, como ar urbano, exaustão diesel, tabagismo, alcatrão ou tinta fresca, solventes orgânicos e pesticidas, certos plásticos, papel-jornal, perfumes e colônias, medicamentos, gás utilizado para cozinhar e aquecer, materiais de construção, pressão permanente e tecidos sintéticos, purificadores de ambiente, polidores de álcool, canetas de ponta de feltro, armários de cedro, torneira d'água e forças eletromagnéticas. 

Os ecologistas clínicos tipicamente baseiam seus diagnósticos no teste de "provocação-neutralização". Neste teste, o paciente relata os sintomas que se desenvolvem no prazo de dez minutos após diversas concentrações de substâncias suspeitas serem administradas sob a língua ou injetadas na pele. Se algum sintoma ocorrer, o teste é considerado positivo e concentrações menores são dadas até que seja encontrada uma dose que "neutralize" os sintomas. 

O tratamento determina a abstinência das sustâncias suspeitas e envolve mudanças no estilo de vida que podem variar de pequenas até extensas. Geralmente, os pacientes são instruídos a modificarem sua dieta e a evitarem certas substâncias como xampus perfumados, produtos de pós-barba, desodorantes, cigarros, fumaças de exaustores de automóveis; e roupas, móveis e carpetes que contenham fibras sintéticas. Restrições extremas podem envolver a permanência em casa por meses ou evitar contato físico com membros da família. Em muitas casos a vida do paciente se torna centrada ao redor da doença. 

Pesquisadores da Universidade da Califórnia demonstraram que o teste de provocação-neutralização não é válido. Em um estudo duplo-cego, cada um dos 18 pacientes receberam três injeções de extratos de alimentos suspeitos e nove de sal diluído em água por um período superior a três horas. Os testes foram realizados nos consultórios dos proponentes que tinham tratado os pacientes. Em testes não cegos, estes pacientes tinham consistentemente relatado sintomas quando expostos a extratos de alimentos e nenhum sintoma quando receberam injeções de água salgada. Mas durante o experimento, os pacientes relataram sintomas tanto após um tipo de injeção como após o outro, indicando que seus sintomas não foram nada mais que reações placebo. Os sintomas incluíam cocheira no nariz, olhos lacrimejantes ou ardentes, ouvido tampado, um sentimento de plenitude nos ouvidos, zumbidos no ouvido, boca seca, garganta irritada, um gosto estranho na boca, fadiga, cefaléia, náuseas, tonturas, desconforto abdominal,  sensação de formigamento no rosto ou no couro cabeludo, aperto ou pressão na cabeça, desorientação, dificuldade respiratória, depressão, calafrios, tosse, nervosismo, ruídos ou gases intestinais e dor nas pernas. Os ecologistas clínicos também alegam que doses de "neutralização" de alérgenos ofensivos pode aliviar os sintomas do paciente. Entretanto, os pacientes que foram tratados durante o experimento tiveram respostas equivalentes para os extratos e para a água salgada [5].

A American Academy of Allergy and Immunology (AAAI), a maior organização profissional de alergistas dos EUA, tem alertado:

Ainda que a idéia de que o meio ambiente seja responsável por uma grande quantidade de problemas de saúde seja muito apelativa, para apresentar estas idéias como fatos, conclusões ou mesmo prováveis mecanismos sem suporte adequado, é prática médica medíocre [6].

Irrigação colônica  -- também chamada hidroterapia colônica -- é tipicamente realizada pela passagem de um tubo de borracha no interior do reto por uma distância superior a 55 cm ou 75 cm. É bombeada água morna em um sistema de vai-e-vem através do tubo, alguns litros por vez, tipicamente usando 80 litros ou mais. Alguns praticantes adicionam ervas, café ou outras substâncias à água. Dizem que o procedimento serve para "desintoxicar" o corpo. Seus defensores alegam que, como um resultado da estase intestinal, conteúdos intestinais putrefatos e toxinas são formados e absorvidos, o que causa o envenenamento crônico do corpo. Os sites Total Health Connection e Canadian Natural Health and Healing Center oferecem mais detalhes das alegações dos proponentes. 

Esta teoria de "autointoxicação" foi popular por volta da virada do século XIX para o século XX mas foi abandonada pela comunidade científica durante a década de 20. Nenhuma das tais "toxinas" jamais foram identificadas e observações cuidadosas tem mostrado que indivíduos em bom estado de saúde podem variar bastante nos hábitos intestinais. Os proponentes também sugerem que o material fecal fica retido nas paredes intestinais e causam problemas a menos que sejam removidos por laxantes, irrigação colônica, dietas especiais e/ou várias ervas ou suplementos alimentares que "limpam" o corpo. A falsidade desta noção é óbvia para os médicos que realizam cirurgias intestinais ou examinam o interior do intestino grosso com um instrumento diagnóstico. O material fecal não adere às paredes intestinais. 

A irrigação colônica não apenas é terapeuticamente inútil como podem causar desequilíbrios eletrolíticos fatais [7]. Casos de mortes devido a perfuração intestinal e infecção (por equipamentos contaminados) também foram relatados [8-10].

Terapia craniossacral, também chamada craniopatia e osteopatia cranial, é baseada na noção de que os ossos do crânio são móveis e podem ser manipulados. Alguns praticantes alegam se harmonizar ao "ritmo" do paciente enquanto seguram o crânio deste em suas mãos. Alguns alegam melhorar o fluxo de "energia vital", deste modo curando ou prevenindo uma grande variedade de problemas de saúde. Outros alegam remover bloqueios ao fluxo do fluido cerebrospinal. Alguns alegam realinhar os ossos do crânio. Na verdade, os ossos do crânio se fusionam precocemente na vida e não podem ser movimentados independentemente. 

Herbalismo é praticado principalmente pelos naturopatas, quiropatas, acupunturistas, iridologistas e "herbanários" não licenciados, muitos dos quais prescrevem ervas para virtualmente todo problema de saúde. Enquanto alguns tentam basear suas prescrições em achados de pesquisa, outros são guiados por certas percepções como "influências astrológicas" e a "Doutrina das Assinaturas" (a crença antiga de que a forma e o aspecto de uma fonte de droga determina seu valor terapêutico). Muitas ervas contêm centenas  ou mesmo milhares de substâncias químicas que não foram completamente catalogadas. Ainda que algumas delas possam vir a ser tornar úteis como agentes terapêuticos, outras podem muito bem mostrarem-se tóxicas. A maioria dos produtos a base de ervas vendidos nos EUA não são padronizados, o que significa que determinar a quantidade exata de seus ingredientes pode ser difícil ou impossível. Com medicamentos seguros e eficazes disponíveis, tratamento com ervas faz pouco sentido. Além do mais, muitos praticantes do herbalismo não são médicos e carecem de treinamento adequado para diagnosticas e tratar doenças.

Iridologia é baseada na noção de que cada área do corpo é representada por uma área correspondente na íris do olho (a área colorida ao redor da pupila). Os iridologistas alegam que o estado de saúde e doenças podem ser diagnosticados de acordo com a cor, textura e localização de vários manchas pigmentadas no olho. Os praticantes da iridologia propõem diagnosticar "desequilíbrios" e tratá-los com vitaminas, minerais, ervas e produtos similares. Podem também alegar que as marcas do olho podem revelar uma história completa de doenças passadas bem como tratamentos anteriores. 

A maioria dos iridologistas nos EUA são quiropatas e naturopatas, mas leigos que fazem "aconselhamento nutricional" também estão envolvidos. O quiropata Bernard Jensen, D.C., o principal iridologista americano, declara que a "Natureza nos proporcionou uma tela de televisão em miniatura mostrando as porções mais remotas do corpo via respostas reflexas nervosas". Ele também alega que análises iridológicas são mais confiáveis e "oferecem muito mais informações sobre o estado do corpo que os exames da medicina ocidental". Entretanto, em dois grandes estudos, Jensen e sete outros proeminentes iridologistas não conseguiram distinguir os pacientes que tinham doenças renais ou de vesícula biliar daqueles que estavam saudáveis. Tampouco concordaram entre si sobre quem tinha o que [11,12]. Isto não surpreende, porque não há nenhuma maneira conhecida pela qual os órgãos do corpo pudessem ser representados em áreas específicas na íris. 

Macrobiótica é uma abordagem quase religiosa centrada em torno de uma dieta semi-vegetariana que alega-se melhorar a saúde e prolongar a vida. Os proponentes sugerem que a dieta é eficaz na prevenção e tratamento de câncer, AIDS e outras doenças graves. Não existe nenhuma evidência científica para apoiar estas alegações. Os proponentes da macrobiótica baseiam suas recomendações para alimentos na quantidade de "yin" ou "yang" (alegadas "formas energéticas") ao invés do conteúdo nutritivo. Os praticantes da macrobiótica podem basear suas recomendações no diagnóstico pelo pulso e outros procedimentos não científicos relacionados com a medicina chinesa. Estes incluem "diagnóstico ancestral", "diagnóstico astrológico", "diagnóstico aural e vibracional", "diagnóstico ambiental" (incluindo considerações das "influências celestiais e os movimentos da marés"), e "diagnóstico espiritual" (uma avaliação das "condições vibracionais atmosféricas" para identificar influências espirituais, incluindo memórias e "visões do futuro").

O principal propagador atual é Michio Kushi, fundador e presidente da Kushi Institute em Becket, Massachusetts. De acordo com as publicações do instituto, o modo de vida macrobiótico deveria incluir mastigar o alimento no mínimo 50 vezes por bocada (ou até se tornar líquido), não usar roupas sintéticas ou de lã próximo a pele, evitar longos banhos ou duchas quentes, ter muitas plantas verdes na sua casa para enriquecer o conteúdo de oxigênio do ar e cantar uma canção feliz todos os dias. Kushi alega que o câncer em grande parte é devido a dieta, pensamento e modo de vida inapropriados, e que pode ser influenciado pela mudança destes fatores. Ele recomenda "alimentos yin" para cânceres devido ao excesso de yang, e "alimentos yang" para tumores que são predominantemente yin. Seus livros contêm relatos de casos de pessoas cujos cânceres supostamente desapareceram após adotarem os alimentos macrobióticos. Entretanto, os únicos relatos de eficácia são testemunhos de pacientes, muitos dos quais receberam a terapia convencional para o câncer. A dieta por si própria pode levar os pacientes de câncer a graves perdas de peso [13].

Algumas versões das dietas macrobióticas contêm quantidades adequadas de nutrientes, mas outras não. Estudos com crianças que vivem em diversas comunidades macrobióticas descobriram que elas tendem a ser menores, mais baixas e a pesar menos que as crianças que receberam dietas normais. Deficiências de vitamina B12, ferro e vitamina D também foram relatadas. 

Naturopatia é baseada na crença de que a causa das doenças é a violação das leis da natureza. Os naturopatas alegam remover as causas fundamentais das doenças e estimular os processos naturais de cura do corpo. Declaram que as doenças são esforços do corpo para se defender e que as curas resultam do aumento da "força vital" do paciente livrando o corpo de sobras e "toxinas". Como alguns quiropráticos, muitos naturopatas acreditam que virtualmente todas as doenças estão ao alcance de suas práticas. Os tratamentos naturopáticos podem incluir dietas com "alimentos naturais", vitaminas, ervas, tecidos minerais, sais celulares, manipulação, massagem, exercícios, diatermia, lavagens (enemas) colônicas, acupuntura e homeopatia, Ainda que os naturopatas aleguem dar ênfase a prevenção das doenças, tendem a se opor aos processos de imunização.

Higiene Natural é um ramo da naturopatia que enfatiza jejuns; uma dieta com alimentos in natura constituída de vegetais, frutas e nozes; e alimentos-combinados, uma prática dietética baseada na noção incorreta de que certas combinações de alimentos podem causar ou corrigir problemas de saúde. Higienistas naturais se opõem a imunização, fluoração e irradiação dos alimentos e evitam a maioria das formas de tratamento médico. 

Ortomolecular é definida pelos seus proponentes como "o tratamento de doenças pela variação das concentrações de substâncias normalmente presentes no corpo humano". Data do início da década de 1950 quando alguns psiquiatras começaram a adicionar grandes doses de nutrientes ao seus tratamentos de problemas mentais graves. A substâncias original foi a vitamina B3 (ácido nicotínico ou nicotinamida); e a terapia foi denominada "terapia de megavitaminas". Mais tarde o regime de tratamento foi expandido para incluir outras vitaminas, minerais, hormônios e dietas, sendo que qualquer uma delas podia ser combinada com a farmacoterapia convencional e com os tratamentos de eletrochoque. Pouco mais de uma centena de médicos americanos usam atualmente esta abordagem para tratar uma grande variedade de condições, tanto mentais como físicas. 

O corpo humano tem uma capacidade limitada para usar vitaminas em suas atividades metabólicas. Quando as vitaminas são consumidas além das necessidades fisiológicas do corpo, elas funcionam como drogas ao invés de vitaminas. Existem algumas situações conhecidas nas quais altas doses de vitaminas são benéficas, mas ainda devem ser usadas com cautela devido ao potencial de toxicidade. Por exemplo, altas doses de niacina podem ser muito úteis como parte de um programa abrangente, supervisionado por médico para o controle de níveis anormais de colesterol no sangue. Contudo, os praticantes da "Ortomolecular" vão muito além disto, por prescreverem grandes quantidades de suplementos para todos ou para a maioria dos pacientes que eles tratam. 

Reflexologia, também chamada terapia por zonas, é baseada na crença de que cada parte do corpo está representada nas mãos e nos pés e que a pressão sobre áreas específicas nas mãos ou nos pés pode ter efeitos terapêuticos em outras partes do corpo. Os proponentes alegam que o corpo é dividido em dez zonas que começam ou terminam nas mãos e pés, e que cada órgão ou parte do corpo está "representada" sobre as mãos e pés. Os proponentes também alegam que anormalidades podem ser diagnosticadas sentindo os pés e que pressionar cada área pode estimular o fluxo de energia, sangue, nutrientes e impulsos nervosos à zona corporal correspondente. Os caminhos postulados pelos reflexologistas não foram anatomicamente demonstrados. 

A maiorias dos reflexologistas alegam que suas massagens nos pés podem aliviar o estresse, o que presumivelmente é correto porém não exige os serviços de um "reflexologista certificado" por 35 a 100 dólares a sessão. Muitos praticantes alegam que a reflexologia dos pés podem livrar o corpo de toxinas, melhorar a circulação, auxiliar na perda de peso e melhorar a saúde dos órgãos por todo o corpo. Alguns alegam que a reflexologia é eficaz contra um grande número de doenças graves. Não há nenhum suporte científico para estas asserções. 

Toque terapêutico é um método no qual as mãos são usadas para "conduzir energias humanas para auxiliar ou curar alguém que está doente." Os proponentes alegam que os terapeutas podem detectar e corrigir "desequilíbrios energéticos" passando a mão sobre o corpo ou colocando suas mãos sobre a parte afligida. A cura supostamente pode resultar de uma transferência do "excesso de energia" do terapeuta para o paciente. Nem as forças envolvidas nem os alegados benefícios terapêuticos foram demonstrados por testes científicos [14]. É seguro supor que qualquer reação ao procedimento são respostas psicológicas pelo "passar das mãos". Um estudo recente com 21 praticantes do toque terapêutico não encontrou qualquer evidência de que eles pudessem realmente detectar um "campo energético humano." [14]

Referências

1. Skrabanek P. Acupuncture: Past, present, and future. In Stalker D, Glymour C, editors. Examining Holistic Medicine. Amherst, NY: Prometheus Books, 1985.
2. Norheim JA, Fennebe V. Adverse effects of acupuncture. Lancet 345:1576, 1995.
3. Yamashita H and others. Adverse events related to acupuncture. JAMA 280:1563-1564, 1998.
4. Sampson W and others. Acupuncture: The position paper of the National Council Against Health Fraud. Clinical Journal of Pain 7:162-166, 1991.
5. Jewett DL, Fein G, Greenberg MH. A double-blind study of symptom provocation to determine food sensitivity. New England Journal of Medicine 323:429-433, 1990.
6. Anderson JA and others. Position statement on clinical ecology. Journal of Allergy and Clinical Immunology 78:269-270, 1986.
7. Eisele JW, Reay DT. Deaths related to coffee enemas. JAMA 244:1608-1609, 1980.
8 Amebiasis associated with colonic irrigation - Colorado. Morbidity and Mortality Weekly Report 30:101-102, 1981.
9. Istre GR and others. An outbreak of amebiasis spread by colonic irrigation at a chiropractic clinic. New England Journal of Medicine 307:339-342, 1982.
10. Benjamin R and others. The case against colonic irrigation. California Morbidity, Sept 27, 1985.
11. Simon A and others. An evaluation of iridology. JAMA 242:1385­1387, 1979.
12. Knipschild P. Looking for gall bladder disease in the patient's iris. British Medical Journal 297:1578­1581, 1988.
13. Dwyer J. The macrobiotic diet: No cancer cure. Nutrition Forum 7:9-11, 1990.
14. Rosa L, Rosa E, Sarner L, Barrett S. A Close Look at Therapeutic Touch. JAMA 279:1005-1010, 1998. Para obter uma cópia impressa deste artigo, envie um envelope auto-endereçado com selos para National Therapeutic Touch Study Group, 711 W. 9th St., Loveland, CO 80537 - EUA.

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Este artigo foi revisto no site original em 8 de dezembro de 1999. 1