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Fatores de Risco para Doenças Cardiovasculares

Stephen Barrett, M.D.

As doenças cardiovasculares lideram as causas de doenças e mortes nos Estados Unidos. A maioria dos casos originam-se da aterosclerose, uma condição na qual colesterol, gordura e tecido fibroso se depositam nas paredes das artérias de grande e médio calibre. 

Na doença coronariana (DC), as artérias do músculo cardíaco (miocárdio) estão estreitadas. A redução do suprimento sangüíneo ao coração pode resultar em dor no peito (angina pectoris) ou outros sintomas, tipicamente disparados pelo esforço físico. Se um vaso sanguíneo estreitado é completamente bloqueado por um coágulo sangüíneo, a área do coração logo abaixo ao bloqueio é privada de oxigênio e nutrição, resultando em um ataque cardíaco (infarto do miocárdio).

Como em outros processos de doenças degenerativas, a aterosclerose pode levar anos para se desenvolver. A dieta é implicada porque os depósitos nas paredes arteriais contêm altos níveis de gordura e colesterol. Estudos tanto em humanos como em animais têm mostrado ligações entre hábitos da dieta e a aterosclerose. 

Pelo menos dez fatores de risco podem ajudar a predizer a probabilidade de DC: hereditariedade, sexo masculino, idade avançada, tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, obesidade (especialmente excesso de gordura abdominal), falta de atividade física e níveis anormais de colesterol sangüíneo e de homocisteína. Quanto maior o número de fatores de risco que uma pessoa tem, maiores são as chances de desenvolver doenças cardíacas. Hereditariedade, gênero e idade não podem ser modificados, mas os outros podem ser influenciados pelo comportamento individual.

Muitos destes fatores de risco são inter-relacionados. Obesidade, falta de exercícios e o tabagismo podem aumentar a pressão sangüínea e adversamente influenciar os níveis de colesterol sangüíneo. Diversos estudos sugerem que a exposição à fumaça do cigarro no ambiente ("fumo passivo") também aumenta o risco do desenvolvimento de doenças cardíacas [1,2]. Algumas autoridades acreditam que o estresse emocional é um fator de risco, mas a evidência para isto não está muito clara. 

Os exercícios oferecem muitos benefícios. As pessoas que se exercitam tendem a viver mais e ter menos doenças cardiovasculares que aquelas que não se exercitam [3]. Um programa de exercícios bem planejado pode aumentar o vigor e a resistência, diminuir a pressão sangüínea, melhorar os níveis de colesterol sangüíneo, auxiliar no controle de peso, auxiliar a reduzir níveis anormais de açúcar no sangue, reduzir o estresse, melhorar o sono e ajudar a prevenir a osteoporose. Exercícios vigorosos são mais vantajosos, mas mesmo exercícios moderados têm efeitos protetores importantes [4].

Os níveis de colesterol no sangue devem ser determinados através de um exame de rastreamento  chamado análise de lipídios (ou perfil de lipídios), que determina os níveis das lipoproteínas de baixa-densidade (LDL), lipoproteínas de alta-densidade (HDL) e dos triglicerídeos, bem como dos níveis totais de colesterol no sangue. Se o LDL está muito alto ou o HDL está muito baixo, deve-se iniciar um programa de correção supervisionado por um médico. O National Cholesterol Education Program recomenda exames para determinar os níveis de colesterol pelo menos uma vez a cada cinco anos [5]. As pessoas com níveis anormais devem tê-los mensurados mais freqüentemente do que aquelas com níveis normais.. 

Referências

1. Steenland K. Passive smoking and the risk of heart disease. JAMA 267:94-99, 1992.
2. Kawachi I and others. A prospective study of passive smoking and coronary heart disease. Circulation 95:2374-2379, 1997.
3. Blair SN and others. Changes in physical fitness and all-cause mortality: A prospective study of healthy and unhealthy men. JAMA 273:1093-1098, 1995.
4. Lee, I, Hsich C, Paffenbarger RS. Exercise intensity and longevity in men. JAMA 273:1179-1184, 1995
5. Grundy SM and others. Summary of the second report of the National Cholesterol Education Program (NCEP) expert panel on detection, evaluation, and treatment of high blood cholesterol in adults. JAMA 269:3015­3023, 1993.

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