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Vulnerabilidade ao Charlatanismo

Stephen Barrett, M.D.

Apesar do estado avançado da ciência médica, muitas pessoas com problemas de saúde se voltam para métodos duvidosos. Defrontados com a perspectiva de sofrimento crônico, deformidade ou morte, muitos indivíduos ficam tentados a experimentarem qualquer coisa que ofereça alívio ou esperança. O doente terminal, os idosos e várias minorias culturais são especialmente vulneráveis às fraudes na saúde e ao charlatanismo. Muitos indivíduos inteligentes e bem educados recorrem aos procedimentos com métodos inúteis na crença que qualquer coisa é melhor que nada. Vítimas do charlatanismo normalmente têm uma ou mais das seguintes vulnerabilidades:

Falta de dúvida

Muitas pessoas acreditam que se algo é impresso ou transmitido, deve ser verdadeiro, caso contrário sua publicação não seria permitida. As pessoas tendem a acreditar nas experiências pessoais dos outros. Muitos acreditam que qualquer alegação ligada à saúde impressa em jornais, revistas, livros ou transmitida pela televisão ou rádio devem ser verdadeiras, e são atraídos por promessas de soluções rápidas, indolores ou sem drogas para seus problemas.

Os meios de comunicação de massa oferecem muita informação falsa e enganosa em comerciais, reportagens, artigos e livros, e em rádios e programas de televisão. Reportagens em noticiários são freqüentemente sensacionalistas, estimulando falsas esperanças e espalhando temores. Muitos produtores de rádio e televisão que promovem alegações de saúde não substanciadas dizem que estão oferecendo entretenimento e não tem nenhum dever ético de checar as alegações.

Crença no mágico

Algumas pessoas são facilmente levadas pela promessa de uma solução fácil para seus problemas. Aquelas que compram um livro de dieta da moda após o outro estão nesta categoria.

Confiança em excesso

Apesar do conselho de P.T. Barnum de que ninguém "jamais deveria tentar vencer um homem em seu próprio jogo", algumas pessoas obstinadas acreditam que estão melhor equipadas que os pesquisadores científicos e outros especialistas para dizer se um método funciona.

Desespero

Muitas pessoas que se deparam com um problema grave de saúde que os médicos não são capazes de resolver ficam tão desesperadas que tentam qualquer coisa que lhes dê esperança. Muitas vítimas de câncer, artrite, esclerose múltipla e AIDS são vulneráveis desta maneira. Algumas desperdiçam suas economias de toda vida na busca por uma "cura".

Muitas pessoas sofrem de dores crônicas, indisposições ou outros desconfortos para as quais a medicina não é capaz de oferecer um diagnóstico claro ou um tratamento eficiente. Quanto mais persistente a condição, mais suscetível o sofredor pode estar para uma promessa de "cura". Muitos indivíduos nesta categoria caem nas mãos de médicos que fazem diagnósticos da moda como hipoglicemia, "hipersensibilidade a candida" ou "sensibilidade química múltipla".

Temores de não serem aceitos pela sociedade ou de envelhecerem (rugas, perda dos cabelos e da acuidade sensorial, diminuição da potência sexual e incontinência) podem também levar as pessoas a se desviarem.

Alienação Algumas pessoas se sentem profundamente antagônicas em relação a medicina científica e são atraídas pelos métodos representados como "naturais" ou não convencionais de alguma forma. Podem também alimentar extrema desconfiança em relação à profissão médica, à indústria alimentícia, às companhias farmacêuticas e às agências governamentais.



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