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Diretrizes Dietéticas para Crianças

Stephen Barrett, M.D.

Em 1989 e 1994, a Gerber Products Company publicou o Dietary Guidelines for Infants, conforme o Dietary Guidelines for Americans de 1990 da HHS/USDA. Os guidelines da Gerber foram baseados nas declarações do Comitê de Nutrição da American Academy of Pediatrics e foi preparado com o auxílio de diversos especialistas em nutrição. Seu objetivo foi proporcionar nutrição suficiente ao mesmo tempo encorajando o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis. Funcionários da Gerber disseram que foram estimulados por uma pesquisa por telefone mostrando que muitos pais estava respondendo inapropriadamente aos guidelines nutricionais para adultos por darem aos seus bebês leite desnatado ao invés de leite integral. Além disso,  casos tem sido relatados de crianças mais velhas que tiveram o crescimento apropriado prejudicado devido ao superzelo, tratamento dietético para altos níveis de colesterol não supervisionado por médicos . 

Em 1997, a American Academy of Pediatrics (AAP) publicou uma declaração recomendando o leite materno para quase todas os bebês. A declaração recomendou que a amamentação dure pelo menos 12 meses e após isto pelo tempo em que houver desejo mútuo de continuar. Este artigo é adaptado da literatura fornecida pela Gerber Products Corporation porém o número1 foi modificado para refletir as recomendações recentes da AAP. Os guidelines são aplicáveis seja a criança amamentada ou que recebe leite pela mamadeira. 

1. Chegando a uma variedade de alimentos.

Crianças abaixo dos dois anos de idade não são "adultos pequenos." Diferente dos adultos, elas não exigem variedade para assegurar a nutrição durante os seis primeiros meses ou mais de vida. Exceto pelo flúor e vitamina D (na ausência de luz do sol), o leite humano sozinho proporciona as vitaminas, sais minerais, carboidratos, gorduras e proteínas necessárias para o crescimento e desenvolvimento normal durante o início da infância. Nos primeiros 6 meses, água, sucos e outros alimentos são geralmente desnecessários para crianças que estão sendo amamentadas. Pode ser necessário dar vitamina D e ferro antes do 6 meses de idade em grupos seletos de crianças (vitamina para crianças cuja mães estão com deficiência de vitamina D ou para as crianças que não são expostas à luz do sol adequada; ferro para aquelas que tem baixos depósitos de ferro ou anemia). Crianças desmamadas antes dos 12 meses de idade não deveriam receber leite de vaca mas deveriam receber fórmulas infantis enriquecidas com ferro. 

A maioria dos bebês estão prontos para iniciarem com alimentos suplementares aproximadamente aos seis meses de idade. Cereais de grãos isolados são freqüentemente o primeiro a ser adicionado. Outros alimentos de ingredientes isolados podem ser adicionados gradualmente até que o bebê esteja comendo uma variedade de alimentos. Novos alimentos deveriam ser adicionados um por vez, em intervalos de alguns dias. Isto permite que o bebê comece a explorar o sabor dos alimentos e pode revelar se um alimento não estaria de acordo com o bebê.

O flúor não deve ser administrado às crianças durante os primeiros 6 meses após o nascimento, sejam amamentadas ou alimentadas com mamadeira. Durante o período de 6 meses a 3 anos de idade, crianças precisam de suplementação com flúor somente se o suprimento de água é severamente deficientes em flúor (menos que 0,3 ppm). Isto deve ser discutido com o médico da criança. 

2. Preste atenção no apetite do seu bebê para evitar alimentá-lo demais ou de menos. 

Apesar de que crianças saudáveis possam variar consideravelmente de uma para outra em sua ingestão calórica, o apetite provavelmente seja a maneira mais eficiente para determinar o que uma criança necessita. A maioria das crianças instintivamente sabem quanto de comida necessitam e não comerão em excesso ou menos do que precisam a menos que sejam pressionadas. Bebês deveriam ser alimentados quando estão com fome mas não deveriam ser forçados a terminar o restinho da mamadeira ou do alimento. O médico do bebê pode checar se o crescimento e o desenvolvimento estão progredindo normalmente. 

3. Bebês precisam de gordura. 

Apesar das dietas pobres em gordura e colesterol serem amplamente recomendadas aos adultos, elas não são apropriadas para crianças abaixo dos dois anos de idade. As exigência nutricionais são maiores durante a infância que durante qualquer outro período. Ao mesmo tempo, a capacidade do estômago é limitada, assim as fontes de alimentos devem proporcionar calorias e nutrientes suficientes em um pequeno volume. As crianças necessitam de gordura em suas dietas para o crescimento e desenvolvimento normal. 

4. Introduza frutas, vegetais e grãos, mas não exagere com alimentos ricos em fibras. 

Os bebês e as crianças mais novas que ingerem uma dieta altamente variada consumirão fibra o suficiente para suas necessidades. Uma dieta rica em fibras pode ser baixa demais em calorias e pode interferir com a absorção de ferro, cálcio, magnésio e zinco. 

5. Bebês precisam de açúcares com moderação. 

O açúcar, o qual existe em várias formas, é uma fonte de calorias e torna alguns alimentos mais saborosos. O leite materno, o alimento ideal para os bebês, contêm de 5% a 9% de lactose, que é similar ao açúcar comum mas muito menos doce. Outros alimentos presentes em uma dieta balanceada podem conter quantidades moderadas de açúcar, mas quantidades excessivas podem excluir alimentos mais nutritivos. O açúcar não demonstrou causar hiperatividade, diabetes, obesidade ou doenças crônicas mais tarde na vida. O açúcar está ligado às cáries dentárias, mas uma boa higiene dental, práticas apropriadas no uso da mamadeira e uma ingestão adequada de flúor reduzirão as chances. Mamadeiras com leite ou suco, ou chupetas embebidas em mel, não deveriam ser usadas para colocar um bebê para dormir, porque o contato prolongado com seus açúcares naturais podem causar cáries dentárias. Alimentos adoçados artificialmente devem ser evitados porque carecem das calorias que os bebês em crescimento necessitam. 

6. Bebês precisam de sódio com moderação. 

O sal também aumenta o sabor de alguns alimentos. Apesar de que a quantidade de sódio na dieta de uma pequena porcentagem de adultos está relacionada com a hipertensão arterial, o conteúdo de sódio da dieta de uma criança não tem sido demonstrado como causador de hipertensão arterial mais tarde na vida. Mesmo que crianças saudáveis possam tolerar uma variação na ingestão de sódio sem aparentar efeitos nocivos, uma moderação na ingestão do sal se faz necessário. 

7. Escolha alimentos com ferro, zinco e cálcio. 

As crianças nascem com ferro armazenado suficiente para quatro ou seis meses. Durante este período, o leite humano ou fórmulas baseadas em leite de vaca normalmente fornecem quantidades suficientes de zinco e cálcio. Após isto, o ferro tem um probabilidade maior que qualquer outro nutriente de estar em falta na dieta infantil. Por esta razão, esforços especiais devem ser feitos para proporcionar ferro às crianças durante os dois primeiros anos. Além do leite humano, as melhores fontes são carnes e frangos, fórmulas enriquecidas com ferro e cereais infantis enriquecidos com ferro. As fontes dietéticas de zinco incluem cereais de aveia, carnes e frangos, gérmen de trigo, gema de ovos e queijo Cheddar. O cálcio é abundante no leite e em laticínios. 

 

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