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Toque Terapêutico

Stephen Barrett, M.D.

Toque terapêutico (TT) é um método no qual as mãos são usadas para "dirigir energias humanas para ajudar ou curar alguém que está doente." Os proponentes alegam que os "campos energéticos" do paciente podem ser detectados e intencionalmente manipulados pelo terapeuta. Eles teorizam que a cura resulta de uma transferência do "excesso de energia" do terapeuta para o paciente. Seus relatos alegam que a TT é eficaz contra inúmeras doenças e distúrbios.

O Toque Terapêutico foi concebido no início da década de 70 por Dolores Krieger, Ph.D., R.N., membro da Divisão de Enfermagem da New York University. O "campo energético humano" que os teóricos da TT postulam restaura o "fluído magnético" ou "força magnética" formulada durante o século XVIII por Anton Mesmer e seus seguidores [1]. O Mesmerismo sustentava que as doenças são causadas por obstáculos ao livre fluxo deste fluído e que curandeiros hábeis ("sensitivos") poderiam remover estes obstáculos fazendo passes com suas mãos. Alguns aspectos do mesmerismo foram revividos no século XIX pela Teosofia, uma religião oculta que incorporava conceitos metafísicos orientais e serve de base para muitas das idéias atuais da "Nova Era". Dora Kunz, que é considerada co-criadora do TT, foi presidenta da Theosophical Society of America de 1975 a 1987. Ela colaborou com Krieger no início dos estudos do TT e alega ser a quinta geração de "sensitivos" e com o "dom da cura." 

Os proponentes atuais declaram que mais de 100.000 pessoas mundialmente tem sido treinadas na técnica TT, incluindo ao menos 43.000 profissionais da saúde, e que cerca da metade daqueles treinados realmente exercem a técnica. A TT geralmente envolve quatro passos: (1) "centramento", um processo meditativo dito alinhar o curandeiro com o nível de energia do paciente, (2) "avaliação", dito ser realizado através do uso das mãos para detectar forças emanadas do paciente, (3) "tranqüilização do campo", dito envolver "energia estagnada" adormecida de modo a preparar para a transferência de energia, e (4) transferência de "energia" de um praticante para o paciente. O "Toque Terapêutico Sem Contato" é feito da mesma maneira, exceto que as mãos do "terapeuta" são sustentadas alguns centímetros acima do corpo. 

Não há nenhuma evidência científica de que a "transferência de energia" postulada pelos proponentes realmente ocorra. É seguro assumir que quaisquer reações ao procedimento são respostas psicológicas pelo "passar das mãos." 

Em 1996, Linda Rosa, R.N., publicou uma crítica a todos os estudos relacionados com o TT que conseguiu localizar em periódicos de enfermagem e em qualquer outro lugar. Ela concluiu: "Quanto mais rigoroso o projeto da pesquisa, quanto mais detalhada a análise estatística, menor a evidência de que exista qualquer fenômeno observado -- ou observável." [2]

 
Durante os dois últimos anos, Emily, filha de Rosa, tem testado 21 praticantes do TT para determinar se eles poderiam detectar uma das mãos dela perto da deles. Cada um foi testado dez ou vinte vezes. Durante os testes, os praticantes repousaram seus ante-braços e mãos, palmas pra cima, sobre uma superfície plana, separados entre si  aproximadamente 25 ou 30 cm. Emily então pairou sua mão, palma para baixo, alguns centímetros acima das palmas do terapeuta. Uma tela de papelão foi usada para impedir que os sujeitos olhassem qual mão foi selecionada. Os praticantes localizaram corretamente a mão de Emily somente 122 (44%) das 280 tentativas, o que não foi melhor do que o esperado pela tentativa [3]. Uma pontuação de 50% seria esperado apenas pelo acaso. 

George D. Lundberg, M.D., editor do Journal of the American Medical Association (JAMA), acredita que os praticantes do TT agora tem um dever ético de mostrar os resultados deste estudo para pacientes potenciais e que terceiros responsáveis pela conta deveriam questionar se deveriam pagar por procedimentos de TT. Lundberg também acredita que os pacientes deveriam "recusar a pagar por este procedimento até ou a menos que experiências honestas adicionais demonstrem um efeito real." [4] 

 

Enquanto Emily pousava suas mãos sob a mão do praticante, o cortina impedia que ele desse uma espiada. A tela tinha aproximadamente 92 cm de altura e 0,31 cm de largura. Desenhado por Pat Linse, Skeptics Society

 

Em 1996, a James Randi Educational Foundation ofereceu 742 mil dólares para qualquer um que pudesse demonstrar uma habilidade para detectar um "campo energético humano" sob condições similares àquelas de nosso estudo. Apesar de mais de 80.000 praticantes americanos alegarem ter tal habilidade, somente uma pessoa tentou demonstrá-la. Ela fracassou, e a oferta, agora em 1 milhão de dólares, não teve nenhum apostador apesar dos esforços de recrutamento extensivos, inclusive um apelo direto à Dra. Krieger. 

Referências

1. Ball TS, Alexander DD. Catching up with eighteenth century science in the evaluation of therapeutic touch. Skeptical Inquirer 22(4):31-34, 1998.
2. Rosa L. Survey of Therapeutic Touch "Research." Loveland, Colorado: Front Range Skeptics, 1996.
3. Rosa L, Rosa E, Sarner L, Barrett S. A Close Look at Therapeutic Touch. JAMA 279:1005-1010, 1998. To obtain a reprint of this article, send a self-addressed stamped envelope to the National Therapeutic Touch Study Group, 711 W. 9th St., Loveland, CO 80537.
4. Lundberg GD. Editor's note. JAMA 279:1040, 1998.

Para Informações Adcionais

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Este artigo foi atualizado em 16 de julho de 1999. 1